"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

11 de mar. de 2013

Teus olhos nos meus



 "Um encontro de dois: 
olhos nos olhos, face a face. 
 E quando estiveres perto, 
arrancar-te-ei os olhos 
e colocá-los-ei no lugar dos meus; 
E arrancarei meus olhos 
para colocá-los no lugar dos teus; 
 Então 
ver-te-ei com os teus olhos 
e tu ver-me-ás com os meus." 
 (J.L.Moreno)

Imagem: google

Grito sem voz

18 de jan. de 2013

A P I M E N T A

A  PIMENTA
TENTA
ESQUENTA
APIMENTA
EM MIM

(MariAne)

16 de jan. de 2013

Transferência


"Quando a criança passa 
da passividade da experiência 
para a atividade do jogo, 
transfere a experiência desagradável 
para um de seus companheiros 
de brincadeira e, 
dessa maneira, 
vinga-se num substituto" 
 
(FREUD, S. Além do princípio do prazer. v.18, p.28)

Sentido a vida


"Quando tomamos consciência
de nosso papel,
mesmo o mais obscuro,
só então somos felizes.
Só então poderemos
viver em paz e morrer em paz,
pois o que dá um sentido à vida
dá um sentido à morte". 

(SAINT-EXUPÈRY, 1982)

15 de jan. de 2013

Eu sei que a gente se acostuma



Fragmento do texto extraído do livro: "Eu sei, mas não devia" de Marina Colasanti (1972)
Imagens google
Narração e formatação: Mariane (eu)

26 de dez. de 2012

Ao apagar das luzes


Passaram poucos dias e a beleza das luzes natalinas fazendo parceria com as estrelas, ainda brilha em nossa memória. Assim como a interminável fila para falar com o Papai Noel. O Bom Velhinho foi procurado pelas crianças para fotos, juntamente com promessas e pedidos, das mais variadas formas e valores. E para completar a jornada, a cena que se repete a cada ano: pais delegaram a dolorosa tarefa de convencer a pequena criança de olhos lacrimejantes a lhe entregar seu pertence mais precioso, a chupeta, em troca de futuras recompensas.
E ainda lhe chamam de Bom Velhinho? Será que papai e mamãe fazem idéia da imensidão de emoções e pensamentos que rodeiam a cabeça do seu pequenino neste momento de perda? A autoridade educacional é delegada a um ser estranho, portanto, os pais deixam de ser vilões nesta historia que envolve uma gama de sentimentos como insegurança, dor, tristeza, raiva, mesclados com esperança de algo bom. Esta negociação feita com os pais sob testemunha pode render muitas horas de choro e arrependimento.
Não é novidade o artifício de delegar a um terceiro a tarefa de corrigir o comportamento dos próprios rebentos. Isto ocorre geralmente quando os pais ficam inseguros sobre como agir, o que permitir e como proibir. Eles temem magoar seus pequenos, mas não dão conta das conseqüências dos seus atos. A modelação do comportamento tem enfatizado a punição com perda.  Se não é a entrega da chupeta, é a ameaça de punição “se você não comer tudo o Papai Noel não vai trazer brinquedo X”, “precisa obedecer direitinho porque o Coelho da Páscoa esta vendo tudo”, “o Bicho Papão pega criancinha que não quer dormir”, e assim acrescentaríamos inúmeras ameaças camufladas de mentiras. Numa ânsia de super proteger, pais correm o risco de perder, inclusive a própria autoridade, que deve ser conquistada com confiança e não com autoritarismo.
Quando a verdade vem à tona, e isto acontece muito cedo, a manipulação em prol aos interesses próprios caracterizam-se facilmente como modelo aprendido pela observação. Agindo desta forma, ensinamos precocemente aos nossos filhos a fugir das responsabilidades, pois como pais delegamos para os personagens fictícios a tarefa de educar. E não raro buscamos a compensação da nossa ausência com presentes. Mais uma vez a troca é evidenciada valorizando o TER. É importante lembrar que os personagens fantasiosos têm um papel importante no desenvolvimento criativo da criança, eles complementam a construção do seu mundo imaginário, permitindo testar possibilidades expandindo seu leque de habilidades. Eles servem de coadjuvantes na construção da subjetividade e não devem ser confundidos numa inversão de papéis quanto à autoridade familiar.
Momentos de cumplicidade e paciência demandam tempo e atenção, e rendem registros preciosos na memória dos pequenos e também dos grandes. Duram muito mais do que os papéis de presentes que a esta altura já estão no lixão da cidade. Quisera que agora, passado o ritual natalino, pais e filhos sentissem o prazer de presentear-se com “presentes sem preço” como um toque, o olhar, qualidade de tempo, uma conversa sincera, um sorvete na praça ou aquilo que a imaginação permitir,  temperado com amor e aceitação. Portanto, desafio a reflexão sobre o que acontecerá a mais um apagar das luzes natalinas.

Imagem: autorizada por tintadotinteiro

16 de dez. de 2012

Tranquila Idade



Tão denso é esse sonho e tão leve é a tempestade
Que me confunde o silêncio
Essa voz do pensamento não faz trégua
E eu quero paz nos meus ouvidos

Tão denso dentro eu estou lá fora e tão curta é essa distância
Que já não “curto” a longa estrada
É possível que eu esteja desatento
E nem me vês chegar ou passar por aí

Hoje vejo o amanhã
Aprisionado ao movimento compassado das horas
E livre nessa prisão de ilusões
Vai demorar pra eu ter pressa
E precisar do passado presente
Pra viver sempre (o) agora

Ontem vi o amanhã
Aprisionado ao movimento compassado das horas
E livre nessa prisão de ilusões
Vai demorar pra eu ter pressa
E precisar o passado presente
Ao viver sempre agora

Noutro dia eu acordei e percebi que esse sonho não é meu
Nem seu, de ninguém.

Musica: Tranquila Idade
CD: Filomântico
Letra e Música: Carlos Cidade - cidade@netuno.com.br
Imagens e formatação do vídeo: http://tintadotinteiro.blogspot.com/

21 de nov. de 2012

Hoje


Com carinho o sol abraça o dia
Com calor o dia perpetua a vida
Com fulgor a vida se faz vívida
Com vivacidade caminhamos nossa jornada
Com desejo a jornada se faz real
e o real que um dia foi sonho,
enfim, se faz vida
dentro de cada ser

Com carinho,
calor, fulgor,
vivacidade, desejo,
sonho e realidade
tracejamos os dias
tingido-os na cor
que se faz presente
no momento do agora

Abraços com carinho,
fulgor, vivacidade.....
(MariAne)

20 de nov. de 2012

Narnia


"O mal será bem quando Aslam chegar,
Ao seu rugido a dor fugirá,
Nos seus dentes o inverno morrerá,
Na sua juba a flor há de voltar"

(LEWIS, C.S. O Leão a Feiticeira e o Guarda-Roupa, 1982, p.73)
Imagem: google
Formatação: tintadotinteiro