"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

9 de abr. de 2012

Mergulhei



Acaso não seria apenas na loucura
que realmente a vida pode ser vivida em sua plenitude
Acaso altura não provoca vertigem, liberdade
Se voas em asas quebradas, és hábil piloto,
que não esmorece frente as dificuldades
Os assombros das casas acompanham
até a mais real morada,
Dos fantasmas que tentam assombrar,
são nada mais que a verdade
que quero esconder em alvos lençóis
...
não te contentaria viver plenamente em calmaria,
o desnível destas águas que por hora te apresentam,
nada mais são do que o vapor
que te conduz ao próximo porto.
Guia-te no farol, que fala da linguagem universal,
tu a conheces, ah bem sei que sim!
E se estiver louco,
e se todos os loucos na realidade fossem os únicos
que conseguem encontrar-se consigo mesmo,
viver a própria essência,
sentir a carne o corpo clamando por vida?
Se isto for loucura, marujo,
então coloco-me ao teu lado.
Porque da normalidade que aqui prega,
já estou farta.
Tu amas a vida, clamas pela justiça.
Em tuas veias eis um mais que sangue que te nutre,
é paixão desvairada,
é vida inspirada, é sonho, desejo, são asas.
Sendo anjo, amigo, irmão.
Pulando, gritando, rolando em areias ou no chão.
Transpiras este teu amor por todos os poros.
É lindo ver-te!
.....
Mergulhando em profundas águas, encontras o navio naufragado
Seus tesouros intocáveis protegidos
pelos piratas fantasmas,
faz com eles um acordo.
Ensina-lhes o amor das palavras vertidas,
o significado da vida,
em troca te darão passe infinito aos tesouros do mar.
Trarás as mais belas jóias para coroar tua rainha
Ela não resistirá!

(Mari Ane)

29 de mar. de 2012

Espectro de homem


Texto antigo em formato novo (http://tintadotinteiro.blogspot.com.br/2010/08/espectro-de-homem.html)

17 de mar. de 2012

Dos riscos... ávida vida


"Plantei estrelas
porque as rosas estão secas
Semeei gotas e colhi orvalho
toquei o sol, porque o céu estava longe
Abracei fortemente o fruto do trabalho
Troquei o dia pela noite
Na surdina
Fugi da foice
Tropecei na virgula e nem sonho com os pontos
Em mim me encontro
E de cor em cor
me faço tela
ganho vida em minha vida
de garranchos e rabiscos
apago a vela
e da vida vivo os riscos...
MariAne (16.03.2012)
Imagem Google

13 de mar. de 2012

Brincar com massinha



Musica: Brincar com massinha
CD: Pra cantar na escola
autor: Hardy Guedes
Imagens: google
Montagem: tintadotinteiro

9 de mar. de 2012

Tempo de mudança!

Passos inicias ainda incertos
por caminhos nebulosos
desafios adiante
e tantos atalhos oferecendo fuga camuflada
Vamos em frente,
obstaculos crescem
Resistimos
Choramos outros momentos rimos... 
e choramos
Sentimos o despir de todas as armaduras
e nus nos revestimos
Um desconstruir para alicerçar a base do novo ser
Inicia a experimentação das diversas emoções
a cumplicidade se faz presente
numa comemoração conjunta de cada vitória
As conquistas não são mais solitárias...  são solidárias!
Constantes partilhas
os saberes crescem e numa soma se compartilham
e o conjunto torna-se um corpo.
Cinco anos de maravilhosos em minha vida!
Momento de TRANSFORMAÇÃO!
 
Aos amigos de uma caminhada de cinco anos
De muitos risos e choros
amigos muito mais do que "simples amigos", mas com um significado TODO especial
Aos amigos de uma conquista
de sonhos partilhados
A vocês, meu carinho todo especial
e que esta não seja uma despedida, mas o início de uma nova jornada
Tomamos rumos diferentes, mas a essência permanece!
Saudades e sucesso a todos!

7 de mar. de 2012

Tempestade


Sob o meu olhar o céu estava limpo e tão azul de dar inveja ao mar. De nuvens nenhum sinal e a brisa fresca convidou-me a relaxar. Deixei que meus olhos descansassem e cochilei ao embalo da rede.

Acordei com um forte estrondo e muita ventania. A luz do dia havia cedido lugar a uma escuridão que não condizia com as 15horas marcadas no visor do meu celular. Como podia em menos de uma hora a tranqüilidade dar lugar para enorme tumulto? Papéis e folhas rodopiavam sem rumo, a copa das árvores fazendo flexão, curva-se ao vento. A multidão agitada recolhendo seus pertences. Estalos de janelas sendo abruptamente fechadas. Novo clarão anunciava que o estrondo não tardaria a chegar. E que estrondo! Fez tremer o chão aos meus pés. Saio do meu cômodo posto de observadora e agrego-me ao turbilhão de desnorteados quando percebo que a tempestade não é ilusão de minha mente criativa. 

Protegida em abrigo seguro o corpo começa a relaxar e capta os murmúrios dos turistas. Em uníssimo solo a queixa sobre caía no incômodo causado pela tempestade como se as intempéries da natureza fossem subordinadas aos anseios turísticos. Com o estalo do raio, fez-se um clarão em minha mente! Eis o que acontece em nossa sociedade quando no ciclo vital se depara com as fases do desenvolvimento dos seres humanos. Desenvolvimento “é a seqüência progressiva de mudanças de estrutura, função e padrões de comportamento que ocorre durante o ciclo de vida de um ser humano ou outro organismo”(Dicionário de Psicologia – APA). De tal forma que desenvolver, move o sujeito para seu crescimento. O psicanalista Erik Erikson em sua tese das fases psicossociais do desenvolvimento destaca conflitos comumente existentes nos diversos estágios da vida que ocorrem desde o nascimento até a terceira idade. E o que isto tem haver com a tempestade?

Bem, a calmaria que antecedeu a tempestade reporta-se a fase de latência nos conceitos freudianos. Esta fase, compreende aproximadamente a faixa etária entre os 5 e 10 anos. É um período “em que os desejos sexuais das crianças são reprimidos como uma defesa contra os perigosos sentimentos que eles evocam” (COLE & COLE, 2003, p.728). Caracteriza-se pelas relações externas e pelo gosto em aprender as habilidades que os adultos possuem. Vestem-se como os de sua idade. Conhecimento intelectual, valores sociais e bens materiais passam a ter mais importância. De modo geral é uma fase tranqüila, já possuem autonomia e não despendem tanta energia dos pais para os cuidados básicos. Portanto, calmaria que permite aos cuidadores certo relaxamento, tal qual meu cochilo na rede...

Tempestuosa pode ser a chegada da adolescência. Não por clichê, nem mesmo de forma única e determinante, pois há suas exceções. Inesperada, pois o relaxamento permitiu o descanso, e quando ocorre uma mudança, principalmente quando esta mudança nos tira de uma zona de conforto, ela passa a ser vista negativamente. 

A adolescência por se caracterizar pela busca de uma nova identidade pode ser uma fase cheia de questionamentos (lembra-se da tenra infância no período dos por quês?). Padrões e regras são questionados e até mesmo criticados. A confusão lhe é companheira, pois não recebe mais os benefícios de “ser criança”, mas também ainda não pode usufruir do “ser adulto”. Vive o período transitório, a começar pela mudança abrupta que lhe ocorre no corpo. Seus movimentos tendem a ficar desajeitados, e a voz alterada, o humor oscila entre crises de raiva, risos e choros exagerados (aos nossos olhos). Experimenta diversos papéis, se questiona sobre o quem é, e o que quer ser; o quanto vale e qual a impressão que nos causa. Estes conceitos vão aos poucos interiorizando. Facilmente se opõe ao que lhes é sugerido e sua insatisfação pode ser constante. É uma verdadeira tempestade! 

Se prestar bem atenção, pode-se perceber que tamanha “bagunça” é um movimento, pois esta ocorrendo uma mudança, um desenvolvimento também conhecido por um “vir a ser”. Esta busca constante de acertos apesar dos erros. O experimentar para “testar” aquilo que foi normalizado, não difere muito da pequena infância. O que chamamos de teimosia, pode ser um conferir se o “não” é realmente “não” (momento em que muitos pais fraquejam). As discussões familiares marcada pelos enfrentamentos podem ser uma verificação da lealdade do discurso familiar, portanto, também demonstram que seu pensamento crítico esta em desenvolvimento. Isto tem seu lado positivo, afinal, não queremos nossos jovens totalmente alienados do racional, eles precisam desenvolver opinião critica, e para isto, a casa é o seu primeiro laboratório, e os familiares... bem, suas cobaias. Mas, se for para errar, que seja sob a proteção do ambiente familiar, pois se ali não tiverem espaço, facilmente, vão fazer estes “experimentos” longe de casa. 

Contar com um vínculo familiar saudável, com acompanhamento, educação, valores sociais, apoio e principalmente amor, permite ao adolescente uma tempestade menos inesperada e possivelmente breve. Importa lembrar que a tempestade que eles externalizam, é apenas uma fração do que lhes move internamente.
E para servir de alento, como diz o conhecimento popular: “Após a tempestade vêm dias serenos”.

COLE, M; COLE, S.R. O desenvolvimento da criança e do adoelscente. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

5 de fev. de 2012

Hortencia-coração


Neste final de semana 
o amor atravessou em meu caminho 
em forma de flor
Almejo perpetuá-lo 
como semente 
espalhando pela vida...

23 de jan. de 2012

Laboratório de mim...


Vasculho os botões da vida 
e procuro as aberturas
Assopro  meu nome
e encontro o sonho pairando no ar
Encosto meu corpo ao chão 
e fico a apreciar os minutos

Um segundo é tempo demais para perder... 
não perco o tempo o tempo se perde em mim!
(MariAne 01/2012)

16 de jan. de 2012

Volte...


Em flor se transforma o frágil botão
como borboleta pode a lagarta voar depois da transformação
O diamante brilha após a lapidação

Exale teu aroma, 
Voe
Brilhe!
Depois volte aqui, e mostra-me a caminho...

Imagem capturada em janeiro/2011 no estado do Paraná

11 de jan. de 2012

Passo a passo



A praia já esta tomada pelos banhistas, e as crianças equipadas com pás e baldes cavam buracos na areia. Observo ao longe uma menina de cabelos claros esvoaçados com a franja caindo aos olhos, pela estrutura física e desenvoltura acredito ter por volta de três anos de idade. Seu castelo de areia, ao lado do guarda-sol da família, vai tomando forma com o auxílio de outras crianças maiores. A dedicação que ela dá a sua empreitada totalmente focada na construção é admirável. Como se nada mais existisse ao seu redor, até o momento em que um adulto caminha com passos fundos ao seu lado. Imediatamente a criança muda o foco de sua atenção, e põe-se de pé, quase cambaleando. 

Seu novo desafio consiste em explorar as marcas de pegadas deixadas há poucos instantes ao seu lado. Pés maiores do que o seu, marcam a areia macia. Cuidadosamente a pequena criança mira acertar seu pé no centro da pegada maior, e emite gritos de alegria quando o seu objetivo é alcançado. Estaticamente parada, fica a contemplar o grande feito, preparando-se para seguir a caminhada vincada na areia. Seus pais ao lado, acreditam na brincadeira e incentivam a atividade, ora segurando sua frágil mãozinha, outrora emitindo palavras positivas. 

Cenas como esta passam despercebidas no dia a dia comum, mas quando instigadas a sua observância mais profunda percebe-se a importância no desenvolvimento da criança. A imitação é parte essencial no formato de aprendizagem que ocorre nesta faixa etária, que além de desenvolver a coordenação motora, também incide positivamente sobre aspectos emocionais. As atitudes de incentivo e as palavras reforçadoras dos pais, nesta pequena brincadeira, são motivadores de confiança e autoconhecimento, fatores que na vida subseqüente incidem sobre a formação da auto-estima com reflexo nos comportamentos.

Portanto, quando o desenvolvimento da criança é percebido como ciclo natural dos seres vivos, possibilita a evidência dos mais velhos como um modelo a ser imitado pelas crianças, numa parceria entre o novo e o velho, caracterizando a renovação, e para seus pais, a perpetuação da própria vida. Facilmente vemos as diferentes gerações sob um mesmo teto, precisando adequar seus conhecimentos num convívio nem sempre harmonioso. O contraste de gerações tende a gerar conflitos de relacionamentos com diversidade de comportamentos, gostos e idéias.  A pensar na dedicação da pequena criança a calçar seu pezinho sobre a pegada maior, dispondo-se a erros e acertos, buscando os limites das linhas vincadas, a pegada maior age como estimulo para o novo ser. Onde um não é melhor do que o outro, pois o novo precisa do velho para sua sobrevivência, e o velho não pode menosprezar o novo na constante atualização. Assim, novas gerações precisam de estímulos e espaço para criar o NOVO, e as gerações maduras acreditar neste novo. Há o que guia, paralelamente enquanto um outro deixa-se guiar. Quando equilibradas, cada geração pode desempenhar as suas funções de modo construtivo e saudável.

O novo sem descartar o velho, deste modo penso sobre a despedida de um ano VELHO que constrói o início de mais um ano NOVO. Ter neste início de ano, a delimitação do aprendizado a nortear os passos que estão por vir.

  VivaBlush
Imagem:  minha filha...
Abraços de cor!