"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

23 de jan de 2012

Laboratório de mim...


Vasculho os botões da vida 
e procuro as aberturas
Assopro  meu nome
e encontro o sonho pairando no ar
Encosto meu corpo ao chão 
e fico a apreciar os minutos

Um segundo é tempo demais para perder... 
não perco o tempo o tempo se perde em mim!
(MariAne 01/2012)

16 de jan de 2012

Volte...


Em flor se transforma o frágil botão
como borboleta pode a lagarta voar depois da transformação
O diamante brilha após a lapidação

Exale teu aroma, 
Voe
Brilhe!
Depois volte aqui, e mostra-me a caminho...

Imagem capturada em janeiro/2011 no estado do Paraná

11 de jan de 2012

Passo a passo



A praia já esta tomada pelos banhistas, e as crianças equipadas com pás e baldes cavam buracos na areia. Observo ao longe uma menina de cabelos claros esvoaçados com a franja caindo aos olhos, pela estrutura física e desenvoltura acredito ter por volta de três anos de idade. Seu castelo de areia, ao lado do guarda-sol da família, vai tomando forma com o auxílio de outras crianças maiores. A dedicação que ela dá a sua empreitada totalmente focada na construção é admirável. Como se nada mais existisse ao seu redor, até o momento em que um adulto caminha com passos fundos ao seu lado. Imediatamente a criança muda o foco de sua atenção, e põe-se de pé, quase cambaleando. 

Seu novo desafio consiste em explorar as marcas de pegadas deixadas há poucos instantes ao seu lado. Pés maiores do que o seu, marcam a areia macia. Cuidadosamente a pequena criança mira acertar seu pé no centro da pegada maior, e emite gritos de alegria quando o seu objetivo é alcançado. Estaticamente parada, fica a contemplar o grande feito, preparando-se para seguir a caminhada vincada na areia. Seus pais ao lado, acreditam na brincadeira e incentivam a atividade, ora segurando sua frágil mãozinha, outrora emitindo palavras positivas. 

Cenas como esta passam despercebidas no dia a dia comum, mas quando instigadas a sua observância mais profunda percebe-se a importância no desenvolvimento da criança. A imitação é parte essencial no formato de aprendizagem que ocorre nesta faixa etária, que além de desenvolver a coordenação motora, também incide positivamente sobre aspectos emocionais. As atitudes de incentivo e as palavras reforçadoras dos pais, nesta pequena brincadeira, são motivadores de confiança e autoconhecimento, fatores que na vida subseqüente incidem sobre a formação da auto-estima com reflexo nos comportamentos.

Portanto, quando o desenvolvimento da criança é percebido como ciclo natural dos seres vivos, possibilita a evidência dos mais velhos como um modelo a ser imitado pelas crianças, numa parceria entre o novo e o velho, caracterizando a renovação, e para seus pais, a perpetuação da própria vida. Facilmente vemos as diferentes gerações sob um mesmo teto, precisando adequar seus conhecimentos num convívio nem sempre harmonioso. O contraste de gerações tende a gerar conflitos de relacionamentos com diversidade de comportamentos, gostos e idéias.  A pensar na dedicação da pequena criança a calçar seu pezinho sobre a pegada maior, dispondo-se a erros e acertos, buscando os limites das linhas vincadas, a pegada maior age como estimulo para o novo ser. Onde um não é melhor do que o outro, pois o novo precisa do velho para sua sobrevivência, e o velho não pode menosprezar o novo na constante atualização. Assim, novas gerações precisam de estímulos e espaço para criar o NOVO, e as gerações maduras acreditar neste novo. Há o que guia, paralelamente enquanto um outro deixa-se guiar. Quando equilibradas, cada geração pode desempenhar as suas funções de modo construtivo e saudável.

O novo sem descartar o velho, deste modo penso sobre a despedida de um ano VELHO que constrói o início de mais um ano NOVO. Ter neste início de ano, a delimitação do aprendizado a nortear os passos que estão por vir.

  VivaBlush
Imagem:  minha filha...
Abraços de cor!