"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

30 de jun de 2010

Duas Bailarinas Azuis - parte II

Sentimentos e emoções não traduzidos pelo olhar acomodado do vidente é do que me refiro quando escrevi o parágrafo  Duas Bailarinas Azuis.  As pessoas tendem a contentar-se simplesmente com o que é apresentado em um show. Se pudessem treinar suas percepções sentiriam quantos estímulos pairam no ar, antes e durante uma apresentação. Tensões, expectativas, ansiedades, medo, superação, tristeza, dor, perda, êxtase, alegria, pureza, paixão, sonhos, morte e vida, muita vida. Fechar os olhos e ouvidos para o corriqueiro do dia a dia, prestar atenção em si, nas próprias sensações e emoções, aquietar-se, acomodar-se. Sentir lentamente o aroma do ambiente enquanto a respiração se completa tranquilamente no seu ciclo eterno. Abrir os olhos delicadamente e observar o cenário, o palco, o local... Nas suas minúcias, nos seus detalhes, no seu encanto e desencanto, sem julgamento, sem crítica, tão somente observar e deliciar. Desmontar o cenário e recolocá-lo apenas no pensamento, só para contemplar a energia envolvida na sua construção. Ouvir os sons misturados com o burburinho dos acomodados, e abstrair somente aquele que compõe o enredo. E neste som, buscar nas suas entonações, as emoções a que foram planejadas a projetar. Capturar este som como quem rouba uma sinfonia, sem medo nem culpa, e apropriar-se de todas estas sensações numa mescla intensa e verdadeira. A mais simples apresentação passa a ter um novo significado. Deixa novas marcas, e mais novas marcas são possíveis, mesmo que se repita a apreciação. Cada apresentação por mais que seja treinada e padronizada, principalmente quando for ao vivo, vai ser única. Seus participantes não estarão todos os dias com as mesmas emoções que os antecedem. E por mais profissionais que sejam os artistas, eles trazem consigo fragmentos dos seus dias. Este é o maior espetáculo que pode ser apreciado: as emoções exaladas pelo ser humano!

29 de jun de 2010

Dialogando...


Ane 2: _ Para você, o que significa o desabrochar de uma flor??

Ane 3: _ Para mim, significa amadurecer do pequeno botão para a flor propriamente dita. O botão de rosa é lindo, mas a rosa desabrochada, aberta é muito mais, ela exala o seu perfume e mostra toda a sua beleza!

Ane 2: _ Sim, e as pétalas inicialmente estão encobertas pelas folhas que as protegem, esta folhas precisam se romper, para que as pétalas, uma a uma, a seu tempo desabrochem para a vida... completando o espetáculo da criação!!!

Ane 3 : _ E o que isso tudo representa pra você?

Ane 2: _ Uma construção... isto é apenas o começo!!!

Ane 1: _ É estrear no palco da vida, correndo riscos... podendo assim viver o máximo que lhe é concedido pela natureza até murchar. Ser alimento dos pássaros que nela pousam, poderá também existir a chance de ser cortada para fazer sorrir a um outro alguém... e ainda ser um símbolo de um pedido de casamento... Talvez ainda nem seja vista ou apreciada, mas ainda assim ela será uma flor, e é a grande oportunidade dela apresentar-se, fazer presença, ser reconhecida, mas com futuro incerto, assim como o nosso...

Ane 2: _ Mas antes dela explodir na apoteose da vida, a flor precisa se nutrir internamente... conhecer e reconhecer-se como flor, para somente então SER FLOR e tudo o que isto representa! 
(* publicação previamente autorizada pelas TriAnes)

E para você, o que significa o desabrochar de uma flor??

28 de jun de 2010

Caminho novo


"Tantas vezes quis saber de você
O que fazias, como e porque
Queria muito te entender
Porém a realidade me ensinou a só ficarmos amigos...

Corro em busca da felicidade
Abro os braços, e num sussurro imenso
Grito por você!

Passagens novas
Caminhos abertos para o horizonte em busca de um caminho  novo
Um caminho com olhos abertos e cheios de vida.

Você...
Amigo nas horas tristes, alegres...
Amigo que compartilha parte de mim...
Você...
Num pensamento de amigo, num olhar...
Uma vida que não é minha...
Um sonho sem realidade
Mas um amigo, com significado novo
Com uma vida só sua... e minha..."

* Tentaram separar o inseparável, e  o que em anseios passados apenas sonhava, hoje o tempo confirma... amigo com significado novo.

A Outra

Gosto de ser a outra

Porque enquanto somos os outros
Na vida dos outros
Somos o mais importante
Gosto desta falta de elo
Deste “nada temos em comum”
Desta falta de obrigação,
Que me obriga a ficar com você.
Gosto de ser a segunda
Nos intervalos que sou, eu mesma, a primeira.
Gosto da clandestinidade,
Que nos faz sentir cada minuto... o último...
Que nos faz perder a noite... e ganhar o dia!
Gosto de ser a outra, por ser sua!

(autor desconhecido)



*Esta escrita encontrou morada em minhas poeiras há longa data, fixou-se, mas permaneceu abafada, a espera de se fazer significar. Agora completando um ano sendo a Outra de mim e para mim, revejo-a com novos olhares e significados incompreeensiveis aos mortais. Resignifico cada palavra em dialeto único de subjetividade irreparável!

27 de jun de 2010

Pensar no escuro

"Escrever é a melhor maneira de pensar, quando escrevemos, o pensamento perde a arrogância e se deixa guiar pelo que desconhece, escrever, portanto, é pensar no escuro" (José Castello)

O medo de amar




"O medo de amar é o medo de ser livre para o que der e vier, livre para sempre estar onde o justo estiver
O medo de amar é o medo de ter de ter a todo o momento, escolher com acerto e precisão a melhor direção
O sol levanta mais cedo e quis em nossa casa entrar, pra ficar
O medo de amar é não arriscar espernado que façam por nós o que é nosso dever... "recusar o poder"
O sol levantou mais cedo e cegou o medo nos olhos de quem foi ver tanta luz
Desperte! Você escolheu a humildade. Você é que é feliz. Lute! Faça com que respeitem seus valores, suas convicções, seus sonhos, sua voz. Você merece ser feliz!" (carta de um anônimo)


... levou apenas um pouco mais de vinte anos para que eu compreendesse o sentido destas palavras...
E agora, deixo o sol entrar na minha casa para ficar!

26 de jun de 2010

Selo I

Recebi este lindo selo da Renata que no  O Passar dos Dias, me aquece com seu carinho, e Cá entre nós...  sigo na indicação para  misteriosos Diálogos Poéticos que ultrapassam as palavras timbradas de três amigos, e sentidas verdadeiramente como O SOM DO CORAÇÃO  expressos por Irlene, num maravilho desafio de experimentar nosso Lado B como bem nos ensina Leonel. Em minhas inabilidades e virtudes continuo seguindo estes queridos e inspiradores amigos, vencendo e superando novos desafios...

24 de jun de 2010

Mudança

"As pessoas somente mudarão, quando a dor de não estar vivendo, for maior do que a dor da mudança". (autor desconhecido)

23 de jun de 2010

Mágica infância

Mágica infância
Onde a comida é de barro
E tem festa todo dia
Vassoura é o cavalo alado
Da chuva ninguém fugia
A madeira vira espada
Sonho com o principe amado
Deixa o sapato na escada
O  brilhante desejado
é o anel do sorvete seco
Árvore de galho quebrado
É o castelo secreto
E de papel é feita a coroa
E sem limites, o tempo voa
pula corda, pega-pega,
estátua, cola-cola, bicicleta,
bate-lata, peteca
dança, gira-gira
salta, canta, grita
inventa... cai...
e de novo tenta.
Mágica infância
A comida é de barro
E tem festa todo dia...

22 de jun de 2010

Árdua Lição II

Procurei o calor do teu olhar
fazia tanto frio aqui
Busquei tua mão a me guiar
Você resistiu
Disse que esta caminhada seria somente minha
Que eu deveria seguir
Quis sentir teu cheiro, tua voz
Quis te sentir por inteiro
Mas você me barrou
Eu precisava me conhecer primeiro
Para poder viver teu amor
Tu já sabias que não seria possível te amar
Sem que antes eu aprendesse a me amar por inteiro

ps: não consigo domar a furia do blog, e sua teimosia em bagunçar minhas letras, então reescrevi o mesmo texto, em ordem!

Árdua lição

Procurei fazer o TEU CALOR do olhar
Fazia Tanto um frioqui ...
Busquei Tua Mão me guiar um,
Voce resistiu
Disse Que Seria ESTA Somente caminhadaMinha
Que eu Deveriàseguir
Quis TEU SENTIR cheiro, Tv uaoz
Quis te SENTIR Por Inteiro
Mas VOCÊ me bArrou
Eu precisava me cp onhecerrimeiro
Para pTEU viver oder amor
Tu jsabiás á qn ueão sp eriaDar amor ossível
Que Que sem pingos aprendesse eu AMAR A MIM MESMA .

21 de jun de 2010

Torrão de barro


Os duros golpes sobre o torrão de argila, seguidos de movimentos vigorosos; fazem-no amaciar. Amenizam sua rigidez e permite-lo ser moldado, modelado.
As mãos hábeis do oleiro, seu criador, contornam suas partes, descartando o que não mais serve, incorporando o que falta.
E neste espaço as formas vão tomando jeito, expressões; por mutilação ou adição de massa. Os dedos sensíveis investigam as imperfeições; as espátulas perfuram, alisam... Faz parte do processo.
Quando o corpo toma forma, reluzente na imponência... resta-lhe a fornalha a sua frente. É preciso queimar,eliminar todas as impurezas. Arder até o escarlate da chama enraivecida cansar-se, esvair.
A queima o torna rígigo, forte, útil. Aquele que sobreviver a queima, sem trincas, nem quebras, pode ser aceito. Deixa-se perceber sua humildade, marcada pela perda física de volume, o que sempre acontece quando passa pela queima, marca para ser lembrada por toda a sua jornada.
Queimarei eu como a argila, para tornar-me forte...

20 de jun de 2010

Duas Bailarinas Azuis



"O movimento do bailarino exprime muito mais do que a técnica didaticamente treinada. A expressão de cada músculo da face e do corpo exala um perfume que o olfato não distingue, somente absorve para ser decifrado pelo conjunto composto de sensações e sentimentos. Movimentos dóceis e frágeis, encobrem força e dor que não podem ser percebidos pelos pobres espectadores, mal sabem eles o que está por trás do que eles pensam enxergar... Se contentam com migalhas, quando na realidade o conteúdo de uma dança, extravasa o que os olhos podem ver, vai além do que os receptores sensoriais foram treinados a captar. Só assim, é possível compreender, viver a dança do corpo e dos movimentos. Indomáveis ao próprio ser, soltos para viver."


Texto produzido num passado recente, e partilhado com alguns colegas no presente.

19 de jun de 2010

AMOR DISTANTE



"Mais uma vez o sol se põe frente aos olhos da menina

E mais uma vez ela sente na pele a brisa fina,

Como sentiu as mãos fortes de seu homem um dia tocá-la

E outra vez os olhos da menina se enchem de chuva

E derramam saudades,

Saudades de um amor distante como o sol

Mas que ela sente como o vento

Que passa lento como o tempo..."


Escrita de uma adolescente no corpo de mulher, que hoje se reescreve com novos significados por uma mulher no espirito de uma adolescente.

18 de jun de 2010

Tinta do Tinteiro

O tinteiro é imóvel, inanimado. Obediente, pois fica onde lhe colocam, faz o serviço que lhe é projetado. Guarda a tinta para que os outros escrevam, e fica quieto, submisso. Quando está vazio, é simplesmente trocado ou abastecido. Mas nunca lhe pedem de que cor ele quer ser preenchido naquele momento... Abrem-lhe a tampa, e a tinta lhe é derramada até o topo, a garganta. Sufocante. (10.09)

Hoje sou a tinta do tinteiro, que faz toda a diferença na cor que tracejam estas linhas!

17 de jun de 2010

Citando Fernando Pessoa

"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)

Assim inauguro este lugar, com esta frase de significado todo especial.