"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

11 de mar de 2013

Eu não tenho muitas respostas

Eu não tenho muitas respostas 
e as que tenho são impermanentes, 
como os invernos, os dias de céu de cara amarrada, 
os lugares de dor, os abismos todos, 
o bom uso das asas, os fios desencapados, 
as medidas e as desmedidas. 
Tudo passa, 
o que queremos 
e o que não queremos que passe, 
a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza. 
Eu não tenho muitas respostas. 
O que eu tenho é fé. 
A lembrança de que as perguntas mudam. 
Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol
 possam sorrir o suficiente para desarmar 
a sisudez nublada de alguns céus. 
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer.”(Armadilhas – Ana Jácomo)

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