"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

5 de jun de 2014

Resigno-me

Do meu refúgio outrora conhecido como seguro, ousei sair.
Conheci pessoas maravilhosas.
E conhecendo um pouco mais a mim, tirei culpas e julgamentos que não eram meus, mas que eu teimava em carregar, pois foi assim que aprendi.
Esta liberdade me possibilitou acreditar, e aprendi a olhar as cores.
Estas vieram a ser minha base, meu alicerce na escrita.
Permiti-me aceitar as diversas nuances, ora opacas noutro momento vibrantes.
E assim vim me conhecendo, me redescobrindo.
Mas ainda não estou forte suficiente, pois há um pedaço de mim que nem mesmo a terapia “teve o seu tempo” de me fortalecer. Vulnerável sou, e mesmo aparentando forte, quando esta ferida é tocada, meu chão se esvai, que me lembra tal areia movediça, sufocante.... e em meu desespero de não sucumbir a este poço sem fim, agarro em quem está mais próximo de mim. Mas, assim como a técnica nos ensina, se for socorrer alguém que está se afogando, deves cuidar para não afundar junto... acho que no meu desespero acabo afogando e machucando justamente quem eu mais confio.
Não sei se há cor nomeada para este sentimento.
Tenho vontade de me machucar para compensar a dor que causo.
E fico tão perdida que o mínimo movimento que faço, respinga lágrima escarlate.
Sou estabanada, tentando ser gente.
Se te machuquei, o que faço até mesmo sem saber, resigno-me.
Eis o que me cala no momento.
(Apenas uma Mariane e nada mais - 28.11.2013)

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