"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

5 de jun de 2014

Ao vento

Divagações
Apesar de  ser considerada adulta, ainda tenho muito a aprender nesta vida.
Aprendi pelos olhos de uma criança que brincar não é tarefa fácil, é um treino para fugir dos adestramentos sociais que generalizam o “todo” em favor de uns poucos. E assim, o rótulo de teimosia fica a mercê de que tem poder de decisão.
Aprendi que quando uma pessoa lhe cumprimenta e educadamente lhe pergunta “Como está? Tudo bem?”, na verdade não está interessado em teus sentimentos, é mera convenção social sem significado próprio, e que, portanto, educadamente, exige uma resposta positiva, mesmo não sendo verdadeira. Aqui a “Boa Educação” tem mais valor do que a sinceridade.

Aprendi que o dor interna não é bem vista e socialmente te exigem de ignorá-la por isto reflito: Quando o Criador deu vida à mulher cometeu um grande erro. Esqueceu-se de colocar os botões de controle de sentimento. Seria bem mais fácil viver, apertaria um botão ESQUECE, outro botão AME. Assim como não há botões... Aprendi na pele: OBEDEÇA, IGNORE TEUS SENTIMENTOS, ENGOLE O CHORO. Se para não magoar as pessoas, preciso AMAR, ESQUECER, IGNORAR, volto a ser um boneco manipulável como em minha infância e até pouco tempo. Mas parece que dói menos. A minha dor pode ser esquecida, o que não posso é causar dor aos outros. Afinal já conheço este papel: esquecer-me. Preciso acrescentar mais uma habilidade... Infelizmente aprendi ENXERGAR, preciso voltar a ser CEGA para o que vejo e o que sinto. Isto tornaria a vida mais leve... Andando feito uma boneca de cera (intacta por fora, expressando uma felicidade plástica porque o sentimento real não pode ser manifesto) e sendo boneca de cera, a vida por dentro precisa ficar contida. 

Não é o que acredito... mas às vezes fica difícil lutar pelo que acredito, e em pequenos momentos de fragilidade... eu cedo... até me reerguer novamente.

(em 05.06.2014)

Nenhum comentário: