"Há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos antigos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia - e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (PESSOA, Fernando)

"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer do modo de lembrar que me ensinaram. E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos. Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras. Desembrulhar-me e ser eu." (PESSOA, Fernando)

9 de jan. de 2014

NÃO DOIS, MAS UM


NÃO DOIS, MAS UM
“Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne” (Mc 10.8b).

Tornar-se uma só carne é ato e processo. É um ato estabelecido mediante um compromisso conjugal (o rito do casamento) e selado pela união física (o sexo). É processo na medida em que o compromisso se solidifica para além das promessas verbais, e a união do casal transcende o âmbito físico. Sem o contínuo processo deamadurecimento na arte de tornar-se uma só carne, o ato pode tornar-se vazio e sem sentido. Sem o compromisso estabelecido no ato, o processo fica como um rio sem margens e dissolve-se diante das crises que o acompanham.
Dizendo de outro modo, casamento precisa ser construído sobre um compromisso de amor. Homem e Mulher decidem amar-se e estabelecer um pacto, uma aliança entre si. A vida provará, sem piedade, a firmeza da promessa feita no casamento. Surgirão fases em que o amor terá que ser sustentado pelo compromisso, pela decisão. Os sentimentos vacilarão, ficarão confusos, e a paixão poderá sumir. Então a força do compromisso assumido servirá de sustentáculo para atravessar a crise e descobrir que há bonança depois da tempestade.
Tornar-se uma só carne não significa uma despersonalização, uma anulação de um dos cônjuges ou dos dois. Significa uma complementariedade dinâmica, na qual cada um desempenha seu papel e exerce sua identidade de forma conjugada com o outro. É como numa orquestra, em que vários instrumentos tocam ao mesmo tempo, mas produzem uma só música. Ou como um time de futebol em que os jogadores precisam pensar no conjunto, não em si, e buscar entrosamento para armar as jogadas. Não há lugar para o egoísmo.

Sugestão de leitura: Marcos 10.5-9 e Malaquias 2.13-16
(Texto extraído do devocionário: Orando em Família, ano 2013, p. 159, escrito por Maria Luiza T. A. de Queiroz)
Imagem disponível google imagens

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